quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Travesti e o direito de exercer sua sexualidade


O problema da marginalização dos travestis relaciona-se diretamente com a prostituição que fere a dignidade da pessoa humana, princípio básico da nossa Lei Fundamental. Quanto mais se toma conhecimento acerca da degradação da dignidade da pessoa humana através da prostituição de travestis em Belém e no mundo, mais se é tomado por um sentimento de revolta, ante as tamanhas atrocidades e desrespeitos a que são submetidas crianças, adolescentes e adultos travestis que são vítimas da prostituição e que se encontram à margem do caos urbano.
Precisamos desmistificar que toda Travesti, transexual e transgênero são prostitutas:  ser trans não é sinônimo de prostituição, e sim uma condição na qual cerca de 90% das travestis no Brasil se encontram, porque sem opção de trabalho e excluídas e negadas pela família e pela sociedade esta foi a única alternativa que lhes restou. Por isso é necessário que busquemos mecanismos para que levem a inserção no mercado de trabalho àquelas que assim desejarem.
Nós Travestis e Transgêneros vivemos na invisibilidade, sabemos que existimos, mas todos fingem que não nos vêem. Apesar de nossa coragem de modificar nosso corpo para o qual que queremos ter, isso ainda não basta para a afirmação de nossa identidade, pois quando querem nos agredir nos tratam no gênero masculino. Não somos algumas horas de disponibilização de prazer barato para homens, muitas vezes casados que usam nossos corpos sem se preocupar com o ser humano ali existente, mas sim somos travetis e/ou transgêneros 24 horas por dia, vivendo nossa identidade trans e fugindo e se escondendo do preconceito que mata levando as drogas, a aids e a marginalidade.
Queremos inclusão e oportunidades, a relação travesti/transexual/transgêneros e sociedade só muda após intenso trabalho de educação e respeito dos trans para com a sociedade e principalmente da sociedade para com as trans. Só vivenciando a rua e os pontos de prostituição se garante o mínimo de segurança e dignidade numa profissão tão degradante.
De outro modo só quando as trans se tornam cientes e reconhecem seus direitos são capazes de conduzir melhor a sua vida. Por isso a iniciativa da cartilha para trans da Defensoria Pública em conjunto com o Movimento LGBT do Pará é um passo importante para a diminuição da violência as travestis, transexuais e transgêneros que sofrem com as agressões físicas com agravantes que chegam a assassinatos, preconceitos bobos que levam ao submundo das drogas e da negação de direitos que reforçam a ignorância e constroem as diferenças.
Symmy Larrat
Coordenadora Geral da ONG COR – Cidadania, Orgulho e respeito
Coordenadora de comunicação do Movimento LGBT do Pará
Membro do Conselho Gestor do Centro de Referência e Combate a Homofobia
Membro do Conselho Estadual da Diversidade Sexual

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